Brasília – 5 de junho de 2025
A desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou 57%, segundo nova pesquisa divulgada nesta quarta-feira, marcando o maior índice negativo desde o início do terceiro mandato do petista. Os dados representam uma piora no humor do eleitorado em relação à gestão federal, que vinha enfrentando críticas crescentes nos últimos meses.
Ainda de acordo com o levantamento, apenas 30% dos entrevistados avaliam o governo como “bom” ou “ótimo”, enquanto 11% consideram a administração “regular”. O restante não soube ou preferiu não responder. A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 4 de junho, com 2.500 pessoas entrevistadas presencialmente em todos os estados do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Especialistas apontam que a deterioração da imagem do governo tem origem em múltiplos fatores, entre eles o desempenho econômico abaixo das expectativas, os impasses na articulação com o Congresso Nacional e as polêmicas envolvendo aliados do Planalto. Além disso, o aumento no custo de vida e a percepção de insegurança têm reforçado a insatisfação popular.
“O presidente Lula ainda conserva apoio em nichos específicos, especialmente no Nordeste e entre eleitores de menor renda, mas perdeu força no Centro-Sul e entre os jovens”, afirma o cientista político André Carvalho, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “A expectativa de melhora rápida no pós-Bolsonaro não se concretizou, o que amplia a frustração.”
O Planalto tem tentado reagir com agendas públicas mais intensas e anúncios de investimentos em infraestrutura e programas sociais. Nos bastidores, integrantes do governo reconhecem o momento delicado, mas creditam parte da rejeição ao ambiente de tensão institucional e à cobertura crítica da imprensa.
Apesar do cenário adverso, Lula mantém sua intenção de cumprir todo o mandato e já indicou que não descarta apoiar uma candidatura da base aliada em 2026, caso não dispute novamente. Integrantes do PT avaliam que há tempo hábil para recuperação de imagem, principalmente com a eventual melhora da economia e a retomada de programas populares como o Minha Casa, Minha Vida.
O levantamento também mediu a confiança no presidente: 52% dos entrevistados disseram não confiar em Lula, enquanto 39% afirmaram confiar. O restante declarou estar indeciso ou não respondeu.